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Ombro
História:
A paciente relata presença de dor profunda em queimação
na região sub-acromial há cerca de 2 meses,
desencadeada somente ao realizar movimentos.
Anteriormente, apresentara comprometimento do ombro
direito, que foi tratado a base de medicamentos
anti-inflamatórios. Não se lembra de nenhuma atividade
que tenha desencadeado o problema atual em seu ombro
esquerdo. Os sintomas a incomodam na realização de suas
atividades diárias, impossibilitando-a também de dormir
em decúbito lateral esquerdo. Realizou tratamento
fisioterápico (10 sessões) através de eletroterapia, não
apresentando resultado satisfatório. Após o tratamento,
que somente aliviou os sintomas, a dor recidivou na
mesma intensidade e freqüência anterior.
Exame Físico:
Ao exame físico foram constatados:
- Limitação de todos os movimentos fisiológicos ativos
com presença de dor localizada na área afetada.
Todos os movimentos apresentam sintomas, porém a rotação
interna é a mais dolorosa, seguida da abdução e rotação
externa;
- Presença de crepitação no movimento acessório em AP
com rotação externa;
- Dor na palpação do acrômio e bursa subacromial;
- Hipomobilidade da articulação acromioclavicular
acompanhada de dor (deslizamento longitudinal);
- Hipomobilidade da articulação esterno-clavicular
acompanhada de dor (deslizamento longitudinal);
- Teste de provocação neural negativo;
- Teste de encurtamento da cápsula posterior positivo;
- Movimento escápulo-umeral deficiente;
- Dor e hipomobilidade na palpação das facetas das
vértebras C4-C7 a direita;
- Hipomobilidade das vértebras torácicas T1-T8, o que
poderia comprometer o ritmo escápulo-umeral.
Obs:
Contra-indicação a manipulação devido a osteoporose;
Tratamento:
1ª
sessão: Foi introduzida a técnica MWM para ombro(
Mulligan) trabalhando o movimento funcional de
maior comprometimento em 3 séries de 10 repetições,
promovendo ausências de sintomas imediatamente após a
aplicação. Foi realizada uma
manobra de tração (grau 2 - Maitland) para maior alívio
dos sintomas e ganhos multidirecionais de amplitude de
movimento.
2ª
sessão: A paciente relatou uma melhora jamais alcançada
anteriormente, mais da metade dos sintomas já haviam
desaparecido. As mesmas técnicas foram repetidas, porém
foi possível mobilizar em graus maiores as articulações
citadas, devido a evolução do tratamento. As vértebras
torácicas também foram mobilizadas através de NAGS
Reverse (Mulligan), pois esta técnica nos permite
utilização de descarga de peso, sendo eficaz em casos de
rigidez dominante. Observou-se um maior ganho no ritmo
escápulo-umeral e ausência de hipomobilidade das
vértebras cervicais citadas. Foram introduzidos exercícios de
propriocepção e estabilização segmentar, sendo orientada
a realizá-los em casa.
Obs: A
coluna torácica é a base para o funcionamento correto da
coluna cervical, por isso, muitas vezes trabalhamos a
região torácica e obtemos a restauração da biomecânica
ideal da coluna cervical, não necessitando de tratamento
local direto.
3ª sessão: A paciente não apresentou mais sintomas e as
articulações apresentavam mobilidades normais, exceto a
região torácica que ainda havia pequena rigidez. As
mobilizações torácicas através de NAGS Reverse foram
realizadas novamente, o que melhorou a mobilidade das
vértebras e conseqüentemente o ritmo escápulo-umeral.
Foi introduzido o Método Kabat de tratamento para
promover maior propriocepção dos movimentos e também
maior força muscular do complexo do ombro.
4ª
sessão: A paciente apresentava boa mobilidade das
vértebras torácicas e um ritmo escápulo-umeral
desejável. Ganhos de propriocepção e força muscular foram
obtidos. A paciente recebeu alta neste dia. |