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Ombro
História:
A paciente relata presença de dor constante,
profunda e em queimação há cerca de 20 dias, na região da
cintura escapular irradiando para o membro superior
direito até a altura do cotovelo, após seguidas quedas
sobre o ombro durante prática esportiva. Relata a
aplicação de 4 infiltrações e ingestão de anti-inflamatórios,
não apresentando melhora significativa dos sintomas.
Apresenta também fratura do primeiro dedo imobilizado
com gesso.
Exame Físico:
Ao exame físico foram constatados:
- Limitação de todos os movimentos fisiológicos ativos
da coluna cervical (área de grande influência na região
do ombro) irradiando para a região do trapézio,
desencadeando sintomas semelhantes a sua queixa;
- Hipomobilidade e dor ao realizar pressões
póstero-anteriores centrais e unilaterais sobre as
vértebras cervicais;
- Alta sensibilidade na palpação do plexo braquial e das
áreas críticas mais superficiais dos nervos radial,
ulnar e mediano quando comparados ao membro sadio (O
teste provocativo era impossível de ser realizado devido
a intensidade da dor, sendo possível somente a
palpação);
- Hipomobilidade e dor local e irradiada a direita ao
relizar pressões póstero-anteriores centrais sobre as
vértebras torácicas (T1-T12), interferindo no
ritmo escápulo-umeral, além de apresentar forte
influência em relação ao suprimento autonômico de
tronco, cabeça e membros;
- Hipomobilidade de cabeça de rádio podendo levar a
compressão de nervo radial e consequentemente a
sintomas;
- Hipomobilidade de 1ª costela, podendo comprometer o
plexo e artéria subclávia, levando a sintomas no membro
superior direito;
- Espasmo de escaleno podendo comprometer a artéria
subclávia, levando a sintomas em membro superior
direito;
- Hipomobilidade dos ossos do carpo, mediante ao gesso,
podendo levar a compressão das inervações e
consequentemente a sintomas no trato neural;
- Paciente não consegue realizar movimentos ativos de
ombro e extensão de cotovelo. A paciente também não
suporta movimentos fisiológicos passivos destas regiões;
- Tendinite do infraespinhoso e subescapular mediante o
exame apresentado (ultrasom).
- Teste de Gerber e Patte
positivos;
OBS: Mediante a história e exame físico apresentados, o
fator mais grave neste caso parece ser o comprometimento
do plexo e região torácica (região de grande influência
na cintura escapular), influenciando na biomecânica, nos
sintomas irradiados e no controle motor dos músculos da
cintura escapular, tendo como consequência a tendinite.
Tratamento:
Foram realizadas inibição do músculo
escaleno devido ao espasmo encontrado durante a palpação
e mobilizações através de rotação cervical (1ª técnica
de escolha em casos de dores predominantemente
unilaterais) com o objetivo de abrir o forame vertebral
e devolver a mobilidade das vértebras cervicais,
liberando as raízes e apresentando alívio imediato dos
sintomas, além do efeito autonômico para os membros
superiores e também inibitório da dor oriundo da
substância periaquedutal cinzenta (dPAG) do mesencéfalo.
Foram introduzidas também pressões póstero-anteriores
centrais para ganho de mobilidade torácica e alívio dos
sintomas irradiados para a cintura escapular nas duas
primeiras sessões. Na terceira sessão, as vértebras em
questão foram manipuladas através de manobras AVBA (alta
velocidade baixa amplitude) e a mobilização neural foi
introduzida para liberação do trato neural. Além disso,
a cabeça do rádio e a 1ª costela foram mobilizadas
apresentando grande alívio dos sintomas.
Conclusão:
A paciente relatou grande alívio dos
sintomas após as primeiras sessões de fisioterapia
através de terapia manual (técnica significativamente
superior aos demais métodos da fisioterapia),
apresentando melhora em todos os achados físicos
encontrados. Espera-se melhores resultados após retirada
do gesso e mobilização dos ossos do carpo, liberando as
inervações possivelmente restritas devido a
hipomobilidade dos ossos do carpo e consequentemente o fluxo axoplasmático,
resultando em maior alívio dos sintomas. |