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Coluna Torácica e Lombar
História:
O
paciente relata presença de dor constante, profunda e em
queimação há cerca de 2 meses na região lombar irradiando
para a parte posterior da coxa até a altura do joelho ao
permanecer em posição de flexão lombar e ao ficar em pé
por tempo prolongado,
sendo pior em pé. Relata também ter trabalhado com cargas
elevadas durante vários anos, apresentando episódios de
dor lombar há cerca de 10 anos, caracterizando portanto um
quadro crônico, com recidivas, o que influencia
fortemente no prognóstico. Relata dificuldade ao
levantar da cama pela manhã e fisgadas ao final do dia,
levando-o a apresentar dificuldades em manter-se em
postura ereta. Para dormir, flete ambos os membros para alívio
dos sintomas.
Exame
Físico:
Ao exame físico foram constatados:
- Limitação marcante de todos os movimentos fisiológicos
ativos da coluna lombar. Os movimentos de flexão e
extensão eram quase impossíveis de serem realizados,
apresentando irradiação para o membro inferior esquerdo
no início do movimento;
- Laségue positivo;
- Trigger point no músculo ilipsoas, muitas vezes
grande responsável por bloqueios de T12 a L5;
- Presença de trigger point no músculo piriforme,
podendo ser responsável por uma síndrome do piriforme e
também um forte influente sobre o sacro e indiretamente
na coluna lombar;
- Hipomobilidade da articulação sacroilíaca, grande
responsável por dores referidas na região da coxa até o
nível troclear e da região lombar em até 40% dos casos;
- Pressões póstero-anteriores centrais sobre as vértebras
torácicas (T6-T12) e lombares desencadeavam dores irradiadas para
o membro inferior esquerdo;
- Teste de flexão cervical passiva também demonstrava
irritabilidade do trato neural da coluna lombar.
- Test de Néri e Bragard
positivos;
- Dor ao tossir;
- Valsalva positivo;
Obs: De acordo com a história, sinais e sintomas
e o exame físico, estamos diante de um quadro característico de desordens do
disco.
No dia seguinte foi apresentada a tomografia,
confirmando a presença de hérnia discal entra L5-S1.
Tratamento:
Foram realizadas inibições musculares de
piriforme, iliopsoas, quadrado lombar e do diafragma por
ser grande responsável por disfunções tóraco-lombares e
devido sua ligação com os músculos iliopsoas e quadrado
lombar,
além da forte influência sobre o retorno venoso e linfático
para o tronco e membros (GREENMAN).
Após a inibição dos músculos, o paciente apresentou
melhora considerável na reavaliação e as manobras
articulares foram realizadas através de rotação lombar, principal
técnica para dores predominantemente unilaterais e
devido a presença de dores irradiadas (Maitland), trabalhando assim
no nível facetário e promovendo a abertura do foram.
Esta técnica apresenta bons resultados em desordens do
disco. A articulação sacroilíaca também foi mobilizada.
Com a evolução do tratamento, foram
introduzidas técnicas de mobilização acessória, sendo
aplicadas alternadamente com as técnicas de rotação,
proporcionando maior estiramento das estruturas periarticulares e tecidos envolvidos. Depois
de 5 sessões o paciente ainda relatava presença de um leve
estiramento na região glútea que não apresentava
evolução, provavelmente devido a cronicidade do
problema. Com isso, foi introduzido o Slum Test como
tratamento para melhora da mobilidade neural,
apresentando bons resultados, porém ainda apresentava queimação somente em seu pé
esquerdo, levando-me a crer num possível envolvimento
torácico (síndrome de T9) encontrado durante a
avaliação, já que o pé não apresentava nenhuma alteração
significativa que indicasse algum comprometimento local
e a coluna lombar havia sido descartada. Os sintomas eram vagos, sugestionando envolvimento
do sistema nervoso. As vértebras torácicas foram
inicialmente mobilizadas.
Na sessão seguinte o paciente não apresentou
mais sintomas na região glútea e os sintomas no pé
haviam melhorado. As vértebras torácicas foram
manipuladas e o paciente relatou ausência dos sintomas após a manipulação.
Na
7ª sessão o paciente foi orientado para a
realização de exercícios domiciliares para ganho e
manutenção de mobilidade torácica, exercícios de
estabilização lombar e exercícios de fortalecimento da fáscia tóraco-lombar.
Conclusão:
Diante
do quadro álgico presente e da história de 10 anos com
recidivas frequentes de dor lombar, caracterizando
portanto um quadro crônico, o prognóstico seria um pouco
mais demorado. Os sintomas em seu pé eram
oriundos da coluna torácica, devido ao suprimento
autonômico para membros que ela possui. Pode-se ter essa
conclusão, já que a coluna lombar foi primeiramente
tratada, não obtendo melhora dos sintomas no pé e o
mesmo não apresentava nenhuma alteração que indicasse
comprometimento local,
além disso os sintomas eram vagos, sugestionando
envolvimento do sistema nervoso.
A mobilidade neural também estava comprometida, mesmo
após a liberação dos possíveis agentes causadores,
resultado de prováveis aderências mediante a cronicidade
do problema.
Ao final do tratamento, o paciente obteve
100% de recuperação,
descartando o tratamento cirúrgico, tendo alta em
seguida.
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