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O exercício no tratamento dos distúrbios lombares para
recuperar a estabilidade vertebral
Protocolos específicos de
exercícios
A prescrição de caminhadas é provavelmente o exercício
terapêutico mais simples, menos estressante e mais
benéfico para a coluna lombar. Na caminhada apropriada,
há o
balanço contralateral dos braços, o que
causa uma rotação fisiológica do tronco a cada passo.
À medida que ocorre rotação fisiológica
de cada unidade funcional
as fibras d colágeno
daquela camada e, por conseguinte,
daquela angulação são estendidas, fortalecendo-as.
Flexibilidade
Embora "a amplitude de movimento" seja
difícil de
documentar objetivamente, a
flexibilidade do
segmento vertebral necessita de atenção. Ela ocorre nos
tecidos moles da coluna: nos músculos e na sua
fáscia, nos tendões, nos ligamentos e nas cápsulas das
articulações das
facetas. Todos eles são compostos de fibras de colágeno,
de tecidos fibrosos e de elastina, tendo um alongamento
fisiológico que deve ser mantido através de estira-mentos
ativos e passivos repetidos. As fibras anulares dos
discos também se compõem de
fibras de colágeno tipo l, com algumas do tipo
II,
e necessitam de alongamento fisiológico.
A flexibilidade objetiva, assim, melhorar
também a nutrição do disco.
A resposta do tecido a atividades de alongamento pode
ser resumida conforme
segue:
1. As fibras de colágeno prolongadas de 1
a 1,5%, por menos de uma hora, não
mostram nenhuma
deformação permanente
(alongamento).
2. O alongamento de 1,5 a 2%, mantido por
mais de uma hora, resultará em alongamento
permanente, já que este grau de estiramento
resulta
em uma dissolução
das ligações de tropocolágeno. O ganho é perdido se o
alongamento for
inferior
a uma hora ou se
permitir
que os tecidos percam seu alongamento.
3. O alongamento de 2% pode permitir um
retorno ao comprimento pré-estiramento,
se não for seguido por estiramento mantido ou
intermitente durante as 24
horas
subseqüentes.
4. O alongamento de 3 a 8% pode causar
uma perda na continuidade das fibras de colágeno e
resultar em lesão estrutural.
5. O estiramento permanente ou o
alongamento excessivo das fibras de colágeno
rompem as ligações
intermoleculares entre as unidades de tropocolágeno, causando
lesão permanente.
O aquecimento dos tecidos
facilita
a
flexibilidade.
Qualquer programa
de tratamento
para aumentar a
flexibilidade
é indicado. A
aplicação de calor deve se branda e
progressiva. O
estiramento rápido
tem
de ser controlado,
bem como a extensão do estiramento.
A falta de atividades
diárias
de
flexibilidade
causa uma perda
significativa
da
força e da
elasticidade nos tecidos conjuntivos densos. Após
qualquer lesão nos tecidos
moles da coluna,
devem-se
iniciar
exercícios de alongamento, considerando as propriedades
biomecânicas das fibras de colágeno. Isso demanda
exercícios lentos e prolongados de estiramento do
músculo específico (fáscia),
percebido como
limitado
no exame
clínico.
Os exercícios ativos
são mais seguros e mais efetívos do que os passivos. Os
de
flexibilidade,
por sua vez, devem
incluir
movimento rotacional e sagital.
As articulações dos processos articulares lombares
limitam
a rotação do eixo
em, mais ou
menos, um grau em cada nível lombar, em cada lado, de
forma que as rotações repetidas, que excedem um
grau, poderiam causar microlesões às facetas e aos
discos
intervertebrais, o que não tem sido
confirmado em discos normais.
Exercícios de estiramento
Os exercícios de todos os músculos comprometidos na
atividade normal do tronco,
envolvendo estabilidade ou ação cinética,
precisam ser instituídos para restaurar e manter a
força e a resistência. O músculo flexor
abdominal tem sido claramente designado como aquele
que mais necessita de fortalecimento. Dos
músculos flexores abdominais, os abdominais
profundos e o quadrado lombar descarregam
a coluna e, dessa forma, merecem ênfase.
Os exercícios recomendados para fortalecer os músculos
abdominais profundos, especialmente os transversos, são
mostrados nas Figuras 1 a 4. "Inclinar a pelve"
(diminuir a lordose lombar) é indicado como um
exercício. Tem de ser feito de pé e incorporado a
qualquer atividade de levantamento, já que isso
estabiliza a coluna lombar.


FIG.
1. Exercício para fortalecer os músculos transversos.
Com a elevação, de 10 a 15 cm, de ambos os membros
inferiores, os músculos retos do abdome (RA) se
contraem, mas, quando os músculos profundos estiverem
fracos (linhas pontilhadas), não aumentam os arcos
posteriores e a
estabilidade da coluna. A figura de cima mostra que,
com a elevação das pernas e o "achatamento"
intencional da coluna contra o solo, o músculo obliquo
interno (MÓI) e o transverso do abdome (MTA) se contraem
e estabilizam o tronco.

FIG.
2.
Exercícios de "rolagem"
para os músculos abdominais profundos. Usando um rolo de
uma roda e partindo da posição de flexão plena (figura
sombreada), o rolo é empurrado para a frente e,
em seguida, retorna à posição inicial. Com o
movimento do rolo, os músculos abdominais se contraem
com intensidade crescente.

FIG. 3.
Exercício de inclinação pélvica. Na
posição pronada, apoiando-se em ambos os braços e
pernas, a coluna lombar "cai", sendo elevada e ali
mantida por períodos crescentes de
tempo.

FIG. 4.
Exercício de inclinação pélvica em
supino. Na posição supina, com ambas as pernas
flexionadas, a pelve é elevada, enquanto mantém-se a
região tombar contra o solo. Não se trata de elevar
toda a coluna, pois isto arquearia a coluna lombar.
A inclinação pélvica adequada ativa os músculos
abdominais flexores profundos. A inclinação repetida
aumenta a resistência e a força.
O outro músculo que
estabiliza
a coluna
lombar é o quadrado lombar. Ele é fortalecido ao
deitar-se de lado, sobre o cotovelo pendente. O
corpo inteiro
é elevado lateralmente e mantido nessa posição por
períodos crescentes de tempo (Fig. 5). Em pacientes
com evidência
clínica de doença discogênica e com dor
irradiada na perna, indicando possível herniação de
disco, a flexão lombar seria supostamente
contra-indicada, já que
tal
movimento aparentemente faz a herniação do núcleo do
disco mais
posteriormente contra o ligamento
longitudinal
posterior e as
raízes nervosas no forame. Os exercícios
estabilizadores, descritos
inicialmente
e realizados de
maneira apropriada, não são de flexão, mas de
estabilização.

FIG.
5.
Exercício para o quadrado lombar. Na
posição lateral e sobre o cotovelo, todo o corpo é
lentamente elevado e sustentado por períodos crescentes
de tempo.
McKenzie postulou que a extensão lombossacral faz com
que o núcleo migre anteriormente para fora, a partir de
tecidos neurais sensíveis, capazes de causar dor na
coluna lombar e dor ciática. Assim, considerou os
exercícios de extensão para alcançar tal objetivo
(fig.6). Os estudos de RM têm confirmado a migração do
núcleo. A
abordagem atual é
usar o teste de extensão de McKenzie para determinar a
alteração dos
sintomas. Quando a
dor na coluna
lombar e a ciática
diminuem,
a partir de
exercício de extensão, devem ser incluídos
exercícios, graduais e brandos, e outros para
aumentar a flexibilidade, a força e a mecânica
apropriada do corpo. Esse protocolo de
tratamento é comum
hoje
e aguarda uma avaliação dos desfechos.

FIG.
6.
Exercício de extensão de Mackenzie. Na
posição pronada, o paciente eleva a parte superior do
corpo, estendendo passivamente a coluna lombar. A
elevação para sustentar o corpo sobre os cotovelos é
seguida da elevação do corpo em extensão completa do
braço. O esforço é ativo com os braços e passivo com os
extensores da coluna lombar.
Referências
CAILLIET, Rene. Distúrbios
da coluna lombar. Porto Alegre: Editora Artmed, 2004.
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