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Fisioterapeuta manipulativo
O fisioterapeuta manipulativo é um especialista que
atua, essencialmente através de técnicas manuais, no
campo da fisioterapia neuro-músculo-esquelética. Apesar
do termo "manipulativo", a "manipulação" é apenas um dos
poucos procedimentos terapêuticos do rol de conhecimento
desse profissional: em essência, o fisioterapeuta
manipulativo combina a prática clínica manual com os
avanços científicos que lhe dão a habilidade na
avaliação, precisão no diagnóstico e eficácia no
tratamento das condições que afetam os sistemas
neuro-músculo-esqueléticos.
O fisioterapeuta manipulativo não deve ser confundido
com um osteopata ou quiroprata. O fisioterapeuta
manipulativo recebe uma formação acadêmica
cientificamente fundamentada e um título
internacionalmente reconhecido. Ainda que algumas
técnicas de tratamento sejam parecidas (ex. algumas
manipulações), os osteopatas e quiropratas as aplicam
segundo uma filosofia alternativa baseada nos preceitos
de seus criadores. Técnicas de terapia manual podem ser
perigosas e devem ser aplicadas com cientificidade por
um profissional qualificado, capaz de formar um
diagnóstico correto e que entende os riscos e benefícios
de cada procedimento.
A profissão fisioterápica reconhece a importância da
prática baseada em evidências e encoraja ativamente os
praticantes a considerar as evidências científicas
durante o desenvolvimento e aplicação dos tratamentos. E
qual é a evidência para a fisioterapia manipulativa?
Pesquisas têm mostrado que os fisioterapeutas
manipulativos são altamente hábeis em seu exame, pelo
qual eles são capazes de fazer um diagnóstico similar ou
até melhor que exames imaginológicos sofisticados. Por
exemplo, estudos têm mostrado que os fisioterapeutas
manipulativos são hábeis no diagnóstico de articulações
facetárias sintomáticas (Philips e Twomey 1996), discos
intervertebrais sintomáticos (Donelson et al 1997) e
instabilidade lombar (Avery 1997).
São inúmeras as evidências da eficácia dos tratamentos
físicos providos por esses profissionais. A terapia manipulativa espinhal (tanto a mobilização quanto a
manipulação) é eficaz no tratamento da dor lombar (van
Tulder et
al 1994). Programas de exercícios elaborados e
supervisionados pelos fisioterapeutas manipulativos
resultam em menor incapacidade, menor absenteísmo e
retorno ao trabalho mais rápido quando comparado a
outros tratamentos (Frost et al 1995, Gundewall et al
1993, Kellet et al, 1991, Mitchell et al 1990, Moffet et
al 1999).
Estes profissionais também são pioneiros na investigação
dos mecanismos que contribuem para a cronificação e
recorrência da dor lombar e dos efeitos de programas
específicos de exercício para tal condição
(estabilização). As evidências que suportam a eficácia
destes exercícios têm aumentado (O´Sullivan et al 1997).
Existem fortes evidências que estes tratamentos são mais
eficazes do que o repouso, analgésicos e massagem,
comprovação obtida por 6 de 8 estudos recentes (van
Tulder et al 1997). Ainda mais, a combinação da terapia
manipulativa espinhal e exercícios específicos têm se
mostrado ter grande eficácia no tratamento das dores
lombares (Ottenbacher e Difabio 1994, Scheer et al
1995).
O fisioterapeuta manipulativo obtém a sua formação no
exterior. A Austrália é mundialmente consagrada por ter
profissionais de renome e excelência em formação e
pesquisa nessa área. A associação internacional que
regula as ações desses profissionais é a Musculoskeletal
Physiotherapy Australia (ou MPAA- Manipulative
Physiotherapy Association of Australia) que conta com
profissionais de todos os continentes.
Referências
Avery 1997: The reliability of manual
physiotherapy palpation techniques in the diagnosis of
bilateral pars defects in subjects with chronic low back
pain. MPAA proceedings 10th Biennal Conference,
Melbourne 2000.
Donelson, Aprill, Medcalf and Grant
(1997): A prospective study of centralisation of lumbar
and referred pain: a predictor of symptomatic discs and
annular competence. Spine 22(10): 115-122 |