|
Manipulação e Tração
Manipulação
Acredita-se
que o tratamento quiroprático efetivo seja uma terapia
física padrão, embora, ao presente momento, nenhuma base
científica para sua eficácia tenha sido descoberta. A
terapia quiroprática originou-se em 1895, quando Daniel
David Palmer tratou e ajudou um zelador surdo através de
manipulação vertebral. Ele postulou que muitos dos
problemas médicos, se não a maioria, ocorrem por causa
de mau alinhamento vertebral. Isso poderia certamente
ser verdadeiro na patologia lombar, mas até agora essa
visão não foi confirmada por um estudo objetivo.
Tem-se postulado que os benefícios da manipulação
ocorrem a partir dos seguintes passos:
1 -
Mobilização de uma articulação dos processos articulares
(facetas) que foi comprimida por um movimento não
intencional;
2 -
Liberação de um menisco comprimido em uma articulação
dos processos articulares decorrente de um movimento
impróprio;
3 -
Liberação de uma cápsula sinovial comprimida na
articulação dos processos articulares;
4 -
Restauração do mecanismo dos mecanorreceptores de uma
articulação;
5 -
Efeito sobre os aparelhos fusal e de Golgi, a partir de
um movimento abrupto causado pela manipulação,
liberando, assim, a contração muscular que imobiliza a
articulação;
6 -
Efeito psicológico da disposição das mãos e da
experimentação de sons audíveis (estalos) da
manipulação.
A manipulação pode ser prejudicial quando há
instabilidade estrutural grave das unidades vertebrais
ou uma infecção ou malignidade presentes. Essas
contra-indicações à manipulação têm sido postuladas
pelos padrões quiropráticos norte-americanos.
A manipulação difere da mobilização, já que, na
primeira, a força é abrupta e na última, é gradual. O
resultado é a liberação da articulação em uma posição
mais fisiológica e o "realinho" do que estava mal
alinhado pelas forças nocivas, causadoras da patologia.
O valor da manipulação ainda tem de ser comprovado por
estudos radiológicos controlados. Atualmente, o
benefício é subjetivo em casos agudos, embora benéfico,
mas a frequência da manipulação e sua indicações
continuam obscuras, e, a longo prazo, a eficácia segue
sem confirmação.
Tração
A tração tem sido usada desde o tempo de Hípócrates e
ainda hoje não há evidências quanto ao valor duradouro
no tratamento de dor mecânica lombar. Percebeu-se que a
distração da coluna retraía o disco herniado, mas isso
ainda não foi assegurado.
A tração não distrai os espaços do disco intervertebral.
Seu principal efeito parece ser diminuir a lordose
lombar, que:
1 - Abre o forame
intervertebral;
2 - Separa as facetas;
3 - Prolonga os músculos
eretores da espinha;
4 - "Enrijece" as fibras
anulares dos discos intervertebrais, descarregando,
dessa forma, a pressão interna do núcleo;
5 - Diminui o comprimento
das raízes nervosas e de sua dura, diminuindo a tensão
sobre as raízes.
Conforme explicitado, o efeito direto sobre uma
protrusão discal permanece sem confirmação.
Embora o benefício objetivo da tração não tenha sido
provado, seus vários tipos precisam ser enumerados e sua
aplicação, descrita. A auto-tração, que é a tração
auto-aplicada, tem sido advogada. Seu efeito direto
sobre a protrusão discal não foi confirmado, mas, se der
resultado, ela pode ser aplicada em casa, tão
frequentemente quanto desejado, e será benéfica.
Numerosos tipos de tração foram expostos na literatura,
mas não serão descritos aqui.
Referências:
CAILLIET, Rene. Distúrbios
da coluna lombar. Porto Alegre: Editora Artmed, 2004.
|