De Kleyn e Nieuwenhuyse (1927) foram os primeiros a demonstrar que a artéria vertebral poderia ser obstruíada aos níveis do atlas e do áxis pela rotação e pela extensão da cabeça. A artéria vertebral entra na coluna cervical ao nível da C6, passando através de um forame em cada um dos processos tranversos, nos quais se aproxima póstero-lateralmente das articulações zigapofisárias e medialmente das articulações neurocentrais de Luschka. Scheenan et al. (1969) demonstraram através de uma angiografia que uma distorção da artéria vertebral poderia ocorrer em razão de um osteófito cervical, sendo que a rotação e a extensão da cabeça aumentavam a compressão da artéria no lado para o qual a cabeça era girada. Brain e Wilkinson (1967) mostraram que a rotação da cabeça pode causar compressão da artéria vertebral, já que ela passa pelo processo transverso do atlas no lado oposto para o qual a cabeça é girada. Por isso, quando um paciente se queixa de vertigem, a rotação sustentada deve ser aliviada para ambos os lados.

            Há muitas referências sobre complicações posteriores a manipulação cervical na literatura médica ( Pratt-Thomas e Berger, 1947; Schwartz e Geiger, 1956; Green e Joynt, 1959; Bladin e Merory, 1975; Krueger e Okazaki, 1980; Shellhas et al., 1980).

 

 

            Manipulação cervical e AVC: Manipulação espinal, em particular manipulação da coluna superior, está associada a ocorrências adversas graves, incluindo dissecação da artéria vertebral e da carótida interna, resultando em AVCs e, possivelmente, um óbito. Contudo, a evidência envolvendo manipulações cervicais com essas consequências graves é conflitante em especial considerando-se o fato de que os movimentos normais do pescoço estão associados a dissecações espontâneas. O achado recíproco de fluxo sanguíneo aumentado na artéria carótida durante a oclusão da artéria vertebral foi feito por Stern, que demonstrou que o índice de fluxo na artéria carótida contralateral aumentou 1,5 a 2 vezes com oclusão experimental na artéria vertebral. Essas alterações no fluxo após a oclusão da artéria paralela servem como mecanismo de segurança aparente e podem explicar o motivo pelo qual mais pacientes não ficam lesionados durante a manipulação cervical.

 

Sudden onset vomiting and vertigo followin chiropractic neck manipulation. J Postgrad Med 1998; 74:567-568.

 

Circulatory adequacy attendant upon carotid artery occlusion. Arch Neurol 1969; 21:455-465

 

Dissection of the internal carotid artery after chiropractic manipulation neck manipulation. Neuroloy 1995, 45:2284-2286      NOVO 11/02/2008